Os Estados Unidos anunciaram esta segunda-feira a suspensão, até 21 de agosto, das sanções aplicadas ao petróleo iraniano, no âmbito do memorando de entendimento assinado com o Irão.
A licença permite a importação de petróleo iraniano para os EUA quando necessário para concluir a sua venda, entrega ou descarga. Os EUA não importam petróleo iraniano em quantidades significativas desde que Washington impôs medidas após a revolução de 1979.
De acordo com um memorando de entendimento assinado na semana passada entre Washington e Teerão, os EUA concordaram em conceder isenções para a exportação de petróleo bruto, produtos petrolíferos e derivados iranianos, bem como todos os serviços associados, incluindo transações bancárias, seguros e transportes.
O pagamento dos fundos ao Irão pode ser feito em dólares norte-americanos, segundo a licença.
Washington impôs as primeiras sanções ao Irão em 1979, quando estudantes revolucionários tomaram a embaixada dos EUA em Teerão, mantendo os diplomatas reféns. Desde então, foram impostas várias sanções adicionais devido ao programa nuclear e ao apoio do Irão a grupos que os EUA consideram organizações terroristas.
Os preços do petróleo subiram exponencialmente quando Teerão começou a bloquear o Estreito de Ormuz, o que levou os EUA a bloquear os portos iranianos, mas, após o acordo provisório alcançado na semana passada, os valores caíram para o nível mais baixo desde antes do início da guerra, a 28 de fevereiro, com os ataques dos EUA e Israel ao Irão. Já cotado abaixo dos 80 dólares por barril esta segunda-feira, graças ao degelo diplomático, o preço do petróleo Brent do Mar do Norte, a referência global, caiu para 77,60 dólares, muito abaixo do pico de mais de 126 dólares atingido no auge da guerra comercial.
A autorização foi anunciada depois do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, ter afirmado que as longas conversações com responsáveis iranianos na Suíça criaram uma "boa base para um acordo final bem-sucedido".
JD Vance saudou ainda o acordo do Irão, que, segundo disse, permitiu o regresso dos inspetores da AIEA ao seu território, considerando um "marco importante" e um "primeiro passo" para a "cessação definitiva do programa de armas nucleares do Irão".
O Irão, que não confirmou de imediato esta informação, tinha suspendido temporariamente a sua cooperação com a agência da ONU após os ataques aéreos israelitas e americanos contra as suas instalações, em junho de 2025.
Desde então, os inspectores da AIEA não puderam visitar os locais afectados, o que levantou dúvidas sobre o estado dos stocks de urânio altamente enriquecido do Irão, um dos principais pontos de discórdia com Washington. No entanto, foram autorizados a visitar outras instalações nucleares iranianas nos últimos meses.
Após a assinatura de um memorando de entendimento na semana passada, espera-se que seja alcançado um acordo final no prazo de 60 dias. As negociações entre Washington e Teerão passaram agora para questões técnicas.
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